Eva e Lilith
As duas eram muito amigas, quase
irmãs. Mais que irmãs, uma espécie de almas complementares. Sempre foram
diferentes, mas tudo o que faltava em uma sobrava na outra. Talvez por isso
gostassem tanto de trocar experiências. Lilith tinha misteriosos e belos olhos
negros, cabelos longos, escuros e lisos; os olhos de Eva, não eram menos belos,
porém muito azuis e os cabelos encaracolados, dando-lhe um ar angelical. Até
mesmo os sonhos das duas eram muito diferentes, pois enquanto Eva sonhava casar-se,
ter muitos filhos e ser feliz como em um conto de fadas, Lilith ambicionava
apenas viver plenamente de acordo com sua natureza meio bárbara. Queria
encontrar alguém, sim, mas não para casar-se. Desejava apenas um homem tão
selvagem quanto ela, capaz de lhe proporcionar no mínimo três orgasmos, um
atrás do outro. Ficaram muitos anos sem se ver, as duas amigas. Mas naquele
dia, talvez por capricho do destino, encontraram-se novamente. Felizes, como
nos velhos tempos, confidenciaram suas intimidades uma à outra. Eva tinha se
casado, possuía três lindos filhos, uma casa com um belo jardim e se
considerava a mulher mais feliz do mundo. Seu marido não era nenhum galã, mas
lhe dava a vida pacata que sempre almejara. Chegava cedo em casa, colocava os
chinelos e roncava em frente à TV. Tímido e desajeitado fazia com que ela se
sentisse segura quanto à sua fidelidade. Já Lilith estava intensamente
envolvida com um homem misterioso, irresistivelmente sedutor, tal como sempre
sonhara. É verdade que ela não sabia muito sobre ele, mas até preferia assim.
Sabia apenas seu primeiro nome, que talvez nem fosse o verdadeiro. Entre
conversas e risos elas se despediram, mas não sem antes combinarem um jantar em
casa de Eva. Afinal Lilith conheceria a família de sua melhor amiga. E Lilith
foi. E teve a maior surpresa de sua vida, pois descobriu que o acanhado e bem
comportado marido de Eva abrigava-se no mesmo corpo de seu animal selvagem.
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