A
Filha Única da Vizinha.
Teddy Williams
Depois de alguns meses de viagens resolvi
visitar meus pais. Aproveitaria para curtir as férias. O apartamento ficava a uns
quinze minutos da praia, com três quartos espaçosos, banheiros, varanda e jardim.
Eu tinha chegado do Pará e queria fazer uma surpresa. Soube pela vizinha,
quando ela saia do apartamento ao lado, que todos estavam viajando: minha irmã,
meus pais e só voltariam no fim da semana. Agradeci. Como tinha as chaves, fui
entrando e ligando para meu pai. Fazia uns meses que eu não os via. Só tinha
falado com minha mãe, ao telefone, ainda quando estava na estrada, voltando
para o Ceará.
Ao celular, minha mãe muito animada, disse
que voltaria do passeio que mal começara. Eu pedi que todos aproveitassem, pois
ficaria até eles voltarem. Meu pai falou que no domingo estariam de volta - tinha
cervejas e comida na geladeira. Resolvi que iria descansar: beber, deitar e
curtir uns filmes antes de ir à praia.
Confortavelmente instalado em uma rede,
assistindo a um filme chamado Tango, ouço a campanhinha tocar. Ao abri-la, reencontro
a filha da vizinha, uma linda menina-mulher, de short jeans, blusa branca e
sandálias havaianas. Sorriu e perguntou se podia entrar. Claro, dei passagem
para aquela bela surpresa! Ainda em pé, ela pergunta assim, suavemente, com o
olhar tímido:
- Eu estou precisando saber de uma
coisa, você pode me ajudar?
- Se eu souber, ajudarei com prazer – convidei-a
para sentar-se e fechei a porta.
- É que... acabei de assistir a uma
reportagem sobre... Gravidez na Adolescência e precisava tirar uma dúvida: se a
camisinha é um tamanho único ou tem diferentes tamanhos? Se a Pílula do Dia Seguinte
tem contra-indicações? – perguntou assim, na lata.
- Calma! Devagar! – respondi. Pelo pouco
que eu sei, existe uma medida padrão, mas eu já vi algumas camisinhas tipo
extra, tamanha maior. Por que a dúvida? – perguntei para ver o que ela queria
saber na realidade.
- As meninas na faculdade estavam com
algumas. Elas falaram que já tinham passado maior sufoco com os namorados, pois
as camisinhas tinham estourado devido ao tamanho do... você sabe? – dos meninos,
ficantes e namorados.
- Às vezes até pode rasgar, estourar. Talvez
pelo jeito de colocar, que precisa seguir alguns cuidados, antes da transa. O tamanho
nem sempre é o motivo de estourar.
- Como assim, alguns cuidados? – ela
perguntou já olhando nos meus olhos atenciosa, sem quase piscar.
- Você nunca abriu uma camisinha? Tem transado
sem? Está grávida?
- Já vi, mas abrir mesmo, não! Nunca
precisei. Você tem alguma para me mostrar como se abre? – ela perguntou sorrindo
e não respondendo as minhas perguntas, indiscretas.
Lilian já tinha feito 19 anos. Estava no
segundo ano da faculdade de Nutrição. Era filha única, de um casal de amigos de
meus pais e muito tímida. Porém, o que tinha de timidez ela ia desenvolvendo de
inteligência: dessas de ter muita curiosidade, prestar atenção no que as
pessoas falam. Respeita as ideias diferentes das suas e também possui boa memória
- quando sabemos usá-la é maravilhoso. Era muito educada e elabora bem as
perguntas, assim consegue obter respostas sem embaraçar as pessoas com as quais
conversa, no geral.
Rápido busquei umas camisinhas na
mochila e lhe mostrei: sabor tuti fruti, hortelã, morango – aromas que ela
sentiu logo que as pegou.
- Preste bastante atenção antes de abrir.
Fui falando e lhe entregando uma camisinha.
- Tem vários sabores! Eu vi uma que era
de chocolate, o sabor todinho, dava até vontade de comer.
- É sim, algumas são aromatizadas: morango,
hortelã, canela, chocolate, tuti fruti e etc. Abra devagar e sinta a textura, o
lubrificante, o cheiro.
- Como eu abro? Você disse que tem um
jeito certo...
- Não é a questão de um jeito certo. É
só para evitar que se fure ou rasgue ao abrir, o que às vezes pode acontecer e
ninguém perceber. Unhas grandes, os dentes muito fortes, nunca usar outras
coisas. Deixa eu te mostrar. Nas pontas nós forçamos para rasgar e abrir a
embalagem ou então nos picotes, assim forçamos com os dedos.
- Mas parece ser tão fácil, do jeito que
você abre. Deixa-me ver?
- Claro, mantenha ela assim presa na
ponta. – disse passando a camisinha para ela, já fora da embalagem.
- E ela se estica, fica bem grande? Como
aquelas bolas que já vi em muitos shows, voando para lá e para cá?
- É! Uma péssima utilização das
camisinhas, mas fazer o quê?
- Sim e ai? Como ela é colocada? Quais
são os cuidados mesmos? Por que elas rasgam?
- É uma entrevista para uma pesquisa?
Vamos por parte... Primeiro é preciso algo para lhe demonstrar como colocá-la.
Vá até a cozinha e pegue uma banana, não muito madura ou uma cenoura, média, se
não tiver eu pego uma caneta mesmo.
- Caneta, banana, cenoura? Tá certo! Vou
ver na cozinha, volto já.
Ela já conhece a casa, pois sempre vem
conversar com minha irmã. Seus pais são muito amigos dos meus, tomam café e até
almoçam juntos, quando podem. Eu é que vivo no mundo viajando e quase não os
visito e quando venho, tenho a sorte de encontrá-los passeando. Meus pais se
dão muito bem com os vizinhos, já moram há muitos anos no bairro.
As escolas deveriam ter aulas de Educação
Sexual para ajudar na formação dos jovens e também dos pais. Teríamos mais
pessoas transando porque desejam transar e não porque foram “iludidas/enganadas”.
É complicado ver adolescentes em uma maturidade sexual não saberem o que fazer
para terem um relacionamento “seguro” ou até não o terem, se assim escolherem,
mas falta de informação é “foda”, ou melhor não é foda, é um desastre.
Ela voltou com duas bananas na mão e a
camisinha na outra.
- Estão aqui, suas bananas e vamos
continuar a nossa aula.
- Minhas bananas não! As bananas. E não
é aula, estou apenas respondendo as suas curiosidades, que um dia eu também as
tive. Pronto, o que você acha que deve ser feito com a camisinha e a banana?
- Isso é fácil, enfiar a camisinha na
banana!
- Então vá lá, coloque a camisinha.
Lembre-se que será usada em uma relação sexual. Ou melhor, a camisinha será
colocada no pênis do seu parceiro antes da relação sexual, no auge do bem bom.
Ela sorriu e foi tentando colocar a
camisinha, evitando deixar a banana cair, colocou no sofá e com as duas mãos
foi descendo a camisinha na banana.
- Parabéns, já é um bom começo para quem
disse nada saber sobre camisinhas.
- Obrigada, foi meio chato ter que
segurar a camisinha e a banana, ela fica deslizando.
- Algumas coisas você deverá ter em
mente: normalmente quem coloca a camisinha, em princípio, será seu parceiro,
afinal para ele será mais prático, mas você também deve ter a sua guardada para
quando precisar. Segundo, sempre é importante apertar na parte de cima, aqui
onde parece um biquinho, pois é onde ficará o líquido, chamado esperma depois da
transa, se seu parceiro não apertar poderá criar uma bolha de ar na hora de por
a camisinha e pode fazer o esperma sair e escorrer antes de ser tirada no ato
sexual. Também existem camisinhas femininas, mas isso eu não tenho aqui em
casa.
- E depois é transar muito e está seguro
de tudo?
- Não é assim não! Vai depender de
muitas outras coisas.
- Caramba, é mais difícil do que prova
de matemática e física no mesmo dia.
- É importante vocês conversarem antes
de transar, o que normalmente é complicado, por causa da emoção, dos desejos,
tesão. Mas seria importante, assim os dois podem se auxiliar, sei que é
difícil, mas não deixe de tentar.
- Para você é fácil dizer, já comeu
muita gente por ai, pensa que eu não sei?
- Muita gente não, só mulheres e as
coisas não são assim tão simples como se fala por ai. Ninguém cai do céu na
cama da gente e nem sai pedindo “me coma, estou de folga” ou então “estou
trabalhando”, quer? Vamos terminar a aulinha para não dar bronca com a sua mãe,
já faz tempo que você chegou aqui, para tirar essas dúvidas.
- Sem chance, eles foram com os meus
avós até o Iguape. Só voltam mais tarde.
- É uma reunião na praia? Nem me
convidaram. Tá bom, então mais tarde falamos mais sobre a camisinha.
- Tá me dispensando? Está esperando
alguém?
- Não é nada disso. Não estou esperando
ninguém. É que... a carne é fraca e os desejos são fortes. Já ouviu falar
nisso?
- Não vejo nenhuma carne fraca aqui, nem
a minha e nem a sua. Pelo contrário, vejo que está muito forte ai!
- Menina, não brinque com quem tá quieto
...
- Não quero brincar, quero é fazer. Você
se garante ou não?
Não pensei mais, já estávamos com muita
teoria e era hora da prática. Nossos beijos foram fortes e demorados. Caímos no
sofá, com banana e tudo. Ela estava ofegante, porém sem pressa, fui tentando
fazer os segundos serem horas, já que estaríamos sozinhos por muito tempo.
Nossas roupas foram atiradas ao chão e aquele olhar de menina inocente me
deixava com mais tesão ainda.
Lilian, sempre que podia andava aqui em
casa. Minha mãe era professora de inglês e minha irmã, de 17 anos era uma de
suas poucas amigas. Às vezes muitas meninas passavam o fim de semana aqui,
estudando e aproveitando para pegar uma praia, era uma animação e tanto. Eu
queria poder estar aqui por mais tempo, mas como era caminhoneiro, sempre
estava na estrada, em uma vida muito difícil. Minha casa era na periferia, em
um bairro distante e poucas vezes eu conseguia aparecer para ver a família e já
fazia três dias que tinha chegado de uma viagem do Pará, onde fomos entregar
umas encomendas em Belém. As estradas estão em péssimo estado, o corpo da gente
fica só o caco. Descansar no apê dos meus pais é o melhor que faço às vezes.
Acabamos indo para o quarto em que eu ia
dormir. Passamos à tarde juntos, aprendemos na prática como usar as camisinhas.
Os pais de Lilian chegaram ao fim da noite de sexta e os meus chegaram domingo
no fim de tarde. Fizemos um belo jantar em família e convidados, comemorando todos
os nossos aprendizados.
Prazerosos aprendizados!
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